sexta-feira, 27 de junho de 2014

I do.

Two arms around me, heaven to ground me,
and a family that always calls me home.
Four wheels to get there, enough love to share
and a sweet song.
At the end of the day,
Lord I pray, I have a life that's good.






[A life that's good.]

sábado, 5 de outubro de 2013

Dez anos. Ou dez dias.

Dez anos passaram, e eu lembro daquela noite melhor que minha mente velha e cansada podia suportar. Lembro do barulho do teu carro triturando a areia na porta da minha casa, da campainha antiga, que tocava engraçado. Lembro de não querer abrir, de pensar que se eu nunca mais te visse, isso nunca ia acabar. Isso, em que a gente sempre insistiu e sempre foi tão claro. Isso que me fazia sobrecarregar meus neurônios e meu fígado em dias alternados, mas que por alguns anos me fez rever todas as minhas certezas.

Lembro da força que você bateu a porta quando você gritou teus piores planos. Cruentos, venenosos, como se você quisesse cravar essa faca o mais fundo que você conseguisse. Como se teu desprezo não tivesse sido suficiente pra destroçar o que tinha sobrado da minha paz. Lembro dos teus olhos vermelhos, que provavelmente nem estavam vermelhos, mas é assim que eu lembro deles. Porque a única coisa que você tinha no rosto era fúria, era o resultado da soma de todos os pensamentos equivocados que você já teve na vida, plasmados numa cara que agora parecia tão diferente da tua.

E hoje, depois de dez anos, ainda tenho tuas coisas guardadas. Tuas fotos, tuas roupas, e essa coisa gigante que eu tenho dentro de mim, e que por mais que eu negue todos os dias, segue sendo tua. Todas essas coisas que você esqueceu aqui sem querer, e nunca mais reclamou.

Dez anos e eu nunca mais te vi. Nunca mais soube dos teus planos de mudar o mundo. Mas acho que você, sempre acostumado a ganhar, perdeu essa. Porque fora minha pele marcada, e esses fios brancos que insistem em aparecer, faz dez anos que meu mundo segue o mesmo.


Why must it drift away and die?




domingo, 14 de abril de 2013

A falta.

E a gente fica aqui esperando. Que faça sol, que você volte, que o barulho dessas buzinas de merda não me acordem de manhã cedo ou que aconteça um milagre, e mude nossa vida de uma vez só. Esperando que você chegue arrombando a porta e dizendo que eu sou a mulher da tua vida.

E fico sozinha, jogada nessa cama grande demais, contando os mosquitos do teto e fingindo que são estrelas. Fingindo que não sinto essa falta gigante que não cicatriza. Fingindo que talvez em outra dimensão em outro tempo em outro plano você está aqui. Fingindo que esses sonhos de merda que eu tenho toda noite, da gente feliz em algum lugar do mundo, não são uma tentativa doente de não te deixar ir.

Minha cabeça lateja de ressaca e de saudade. Lateja com meus demônios se vingando de mim por ter tentado afogá-los com o whisky que eu roubei do teu armário. Com tua voz no telefone antes de você desligar sem dizer tchau. É essa minha mania de lembrar de você o tempo todo. Ontem eu bebi fernet, porque é o que você tomaria se a gente deixasse de ser idiota e você tivesse comigo.

Porque deveríamos.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Nem você, nem eu.

Não é você.

Obviamente não é você.
É só insônia, e dor de estômago. E medo. Ah, grande coisa. Como seu eu existisse sem esse medo gigante, ou como se algum dia eu tivesse tido um sono tranquilo e regular. Não.
Não é a lembrança das tuas mãos quentes nesse inverno de merda que nunca acaba. Nem o telefone que não toca, ou toda essa gente que entra e sai dessa casa, e que nunca é você. Não é seu desprezo, seu desinteresse. Nem a porta fechada que existe entre a gente, entre o que sobrou do que "um dia podíamos chegar a ter sido". Não é o seu cheiro nas minhas roupas. É só minha cabeça, pensando demais, querendo demais. Minha ânsia em te ter aqui, em te obrigar a voltar, em gritar na varanda essa falta que eu sinto. Não, não é você.

É só solidão. Só coisa que eu invento sozinha pra encher esse vazio tão óbvio. Pra encher esse quarto tão cheio de você. Não, não é você. Cheio só de invenções minhas. De desejos, de vontades, de distâncias, que nem sempre são físicas, mas que nunca diminuem.


sábado, 29 de setembro de 2012

Long cold lonely winter.


Você nunca respondeu minha mensagem. A gente tava planejando uma viagem junto, lembra? Uma viagem não, uma visita. Você ia aproveitar essa greve louca pra vir sentir frio do lado de cá. E pra gente falar da vida, botar uns sambas loucos pra tocar e fingir que tava no Rio que a gente aprendeu junto a amar. Fingir que era carnaval, e que a gente tava de férias (férias simuladas pra tu que gostava de lembrar que era da classe proletária). Por aí a gente ia falar de política. Falar, porque contigo eu não discutia. Engraçado, né? Logo a gente que discutia com todo mundo..

E daí tu resolveu largar a gente. Me obrigou a voltar, sem estar lá. E nossos problemas, exaustivamente discutidos nas noites insuportavelmente quentes de Niterói, deixaram de fazer o menor sentido. Muita coisa deixou de fazer sentido. Qual é o samba que toca agora? Porque a verdade é que eu tenho medo de ter férias. Medo de esperar você ligar pra me levar pro Blues de Quarta Feira. Porque eu sei que eu vou esperar. E vou ter que me contentar com a lembrança do verão passado. Do carnaval passado, dos anos passados. Do passado. Dessa lembrança que não era lembrança até essa ser a única opção. 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Entressafra.

Eu tinha tudo isso. Uma casa imensa, essa gente, essa falta de cor. Essas almofadas gigantes que me separavam dessa euforia que sabe-se lá porque atinge as pessoas no verão. Eu tinha minha semana de tédio, meus fins de semana de sono e minha falta de esperança. Meus livros, meus filmes que eu sempre usei como roteiro de como sobreviver. Tinha a música, e muito menos de dez razões pra parecer nova se alguém precisasse. Eu tinha essa dor. Que na verdade nem era uma dor. Era só o movimento continuo em direção a nada, o caminho ritmado até o eu-não-sei-o-quê. E que? E quem poderia julgar? Nada é melhor que ruim. Melhor que desespero, depressão, raiva, ódio, melancolia, eu acho. Melhor que chegar e não ter lugar pra você.

E agora? A espuma tá toda espalhada no chão no meio de tanto sol nesse quarto antigo. E meu último travesseiro você me rouba toda noite enquanto me empurra e vira pra parede pra dormir até o mundo acabar. Já não distinguo dia ou noite, e só conheço urgência. E serenidade. E saudade. Meus espelhos tão todos quebrados mas dessa vez não é assim tão pesado. Porque minhas cicatrizes ainda estão no mesmo lugar de antes. Mas se você parece não se importar, por que eu deveria?

Nada é diferente. Tudo está exatamente no lugar que não deveria estar nunca. Eu estou.


[Guess we'll have to wait and see.]

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Neuquen.

E qual seria a diferença se eu tivesse deixado de lado a porra desse medo gigante, e tivesse dito na sua cara o que você sempre soube e nunca quis ouvir? O que mudaria na nossa vida? Na nossa não, na minha e na sua. Não me diga que foi supresa, porque você tava perto o tempo todo. Porque esse límite estúpido, criado pra evitar dramas e envolvimentos desnecessários só existia no plano da idéias, nas conversas tontas depois de tanto vinho e filosofia inútil. Aqui, no mundo real, a gente vivia de carne e sangue. De olhos, pernas, unhas, e essa falta que a gente fingia que ignorava.


E como é jogar nas minhas costas toda a culpa, como se eu tivesse vivido sozinha todos esses últimos anos? Como se eu fosse a traidora desse movimento que você nunca reivindicou. Você sabe que só nos sobraram as palavras não ditas, os sorrisos e silêncios reinterpretados várias vezes, até se esgotarem por si só. Você sempre soube que eu não tava esperando. Mas você também não veio.

Você não me odeia. Você sabe disso.




quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Com a porra da tua vida você faz o que quiser.

Vai embora. Some daqui. Antes que a gente acabe com isso. Com tudo isso, comigo, contigo. Foge pra um canto qualquer desse mundo imenso. Vai pro Sri-Lanka, ou pra Malásia. Só sai daqui, agora, pra sempre. Não, pra sempre não. Pra sempre é tempo demais. Mas vai. Por favor, vai. Enfia toda essa merda em uma mochila e vai. Me manda um postal, uma foto, de longe, de muito longe. De algum lugar que a gente pensa que não existe de tão longe. Que a gente não precise dessas conversas vazias, dessas noites de tv e vinho barato. Muda a sua vida, e deixa a minha. Deixa a minha em paz. Me deixa viver com a dor, o vazio, o medo, a insegurança, o desespero. Com o whiskey, o maço de cigarros e essa porra desse livro de auto-ajuda aberto. Mas me deixa. Me deixa sem seu drama, sem esse discurso comprado sobre tudo, sem esse monte de merda que você inventa pra se sentir melhor, ou pior, sei lá. Sem o que não existe faz tempo e a gente fica aqui, levando. Me deixa com minha saia de puta, com meu cabelo tingido. Para de prometer que vem, que fica, que me ama. Entende, eu não quero amor, nem compreensão, nem nada. Eu só quero paz. Só quero ficar sozinha com essa dor que é só minha.


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Não é dor não, moço. É só saudade.

Tem dia que eu acordo assim, sentindo falta..


Minha janela sempre aberta me acorda cedinho, com um sol assim meio cinza, as árvores secas e amarelas, balançando de leve nesse inverno cruel do sul da América do Sul. Não tão sul, e não tão cruel. Só inverno. Só longe. Só cheio de saudade.

Cheio de saudade das manhãs que o sol me acordava sem pena, pelas frestas da cortina da janela do ônibus, enquanto eu atravessava com sono e com pressa o Rio de Janeiro. Todos os dias. Eu ficava assim meio acordada, olhando as bicicletas, as pessoas tão acostumadas a passar, acostumadas ao sol, a areia, a buzina.

Sabia que um dia, talvez muito tempo depois, eu ia olhar a janela procurando o Cristo Redentor iluminado no calor de mais de 40°C. Ou a praia de Botafogo cheia de gente molhada quando a chuva vinha ligeira. Então eu aproveitava quietinha de dentro do meu ônibus com o ar condicionado no insuportável, pra manter homeostático o corpo dos executivos e advogados dentro de seus ternos e terninhos, a caminho de seus escritórios no centro da cidade. Eu sorria sozinha. Sorria dentro da minha saia indiana, caminhando pro melhor-trabalho-do-mundo. Imaginando o calor que ia sentir no concerto a noitinha no salão sem ventilador.

Eu sabia que em cada barco que eu pisasse eu ia procurar a fila, a gente. A barraquinha pra comprar dez pães de queijo por um real. Eu ia olhar na janela e procurar se afastando a praça, o paço, as torrezinhas de tantas igrejas concentradas num lugar só. Ou a gente colorida do carnaval da Praça XV. A barca lotada de arlequinas, noivas, palhaços, negas-malucas. A música alta do palco de domingo-de-carnaval.

E ia contar da Lapa, dos Arcos, e da gente toda diferente, toda bonita e de todo o jeito que a gente encontra por lá. Do centro turbulento, sujo, de gente de verdade. Dos bolivianos (ou peruanos?) que tocavam flauta no Largo da frente, da Ouvidor, das propagandas da rádio Saara. Da energia que a gente roubava pra fazer nossos sambas numa praça esquecida nos fundos do prédio. Porque a gente andava sem medo, sambava, se encontrava, de noite, nos dias de folga, nas sextas-feiras de tarde quando ninguém ia pra aula pra ficar cantando junto com a velha juke box do Bar das Putas. Esperando o fim do expediente. Esperando pra chegar na Luis de Camões, ali perto da Tiradentes. Tão perigoso, tão escuro. Tão nossa casa.

É de onde eu venho, moço. E pra onde eu sempre vou querer voltar. Pra fevereiro e março, pra Realengo, praquele abraço.





quinta-feira, 9 de junho de 2011

Minha história, meu primeiro amigo.

Há dois anos e cinco meses eu tive um dos dias mais tristes da minha vida.

Eu lembro melhor daquele dia do que de anos da minha vida. Depois de uma campanha apática no campeonato brasileiro, o grande Vasco da Gama caia, pela primeira vez em sua história, para a segunda divisão do futebol nacional. Lembro de ter sentido raiva durante uns 80 minutos daquele Vasco e Vitória disputado em São Januário. Lembro da voz do locutor, e da vontade que eu tive de entrar em campo e gritar com aqueles jogadores que corriam sem direção, parecendo não compreender a importância da camisa que vestiam.
Meu ódio durou até os últimos 10 minutos, até que a queda se tornou uma realidade palpável até pros mais otimistas, até que embalado pelos lamentos do locutor, apareceu a imagem do Pedrinho, meu eterno ídolo da seleção vascaína de 98, chorando. Eu desisti da tv. Me pendurei na janela, com minha camisa 10, eternizada pelo Edmundo, e chorei. Pela primeira vez, desde que eu me entedia por gente, eu chorei pelo Vasco da Gama.

E posso dizer com bastante certeza que eu já era vascaína antes de saber que era gente. Lembro de ganhar minha primeira camisa do Vasco com 6 anos, e de assistir no final de 1997 a despedida do Edmundo pro Fiorentina, na mesma festa que sagrava meu time Campeão Brasileiro. Lembro de deixar minhas amiguinhas sozinhas brincando e correr pra casa pra ver o Vasco jogar a Libertadores em 98, e assistir os jogos explicando pros meus avós os números da camisa e a posição de cada jogador. Lembro daquela noite histórica em 2000, quando depois do terceiro gol do Palmeiras minha mãe me mandou dormir, e eu disse que não ia, porque Vasco ia ser campeão. E nós fomos campeões, de virada, e em pleno Palestra Itália. E hoje, quando me perguntam sobre meus ídolos de infância, me vem logo a mente as imagens do Juninho Pernambucano chorando com essa copa na mão, do Romário correndo quase abraçado com o Juninho Paulista pedindo silêncio depois do quarto gol. Do Mauro Galvão, do Felipe, do Pedrinho, do Helton, do Edmundo, do Carlos Germano.

Hoje, catorze anos depois da primeira final que eu vi o Vasco ganhar, eu posso dizer que vivo um dos dias mais felizes da minha vida. Morando na Argentina e sozinha em casa, eu vi pela internet, o Vasco mais uma vez ser campeão. E dessa vez foi especial. Porque depois de anos sem grandes títulos, de uma queda, e um retorno da série B, de xingar, sofrer, gritar, o canto de Campeão ecoou mais uma vez. O meu canto, e o dos milhões de vascaínos espalhados nesse mundo. Hoje, cada um de nós tem um sorriso bobo estampado na cara, e uma cruz de malta brilhando no peito. E mesmo que ninguém entenda, nós somos vascaínos, guerreiros, torcedores, apaixonados. Orgulhosos.

Eu tive minhas maiores tristezas pelo Vaasco da Gama. Mas também foi ele que me deu minhas maiores alegrias. E preciso te contar, o nosso saldo de alegrias é muito maior..