quinta-feira, 26 de maio de 2011

a gente recupera.

Não olha pra trás, e vai.

Assim sem despedidas, sem lágrimas, sem dramas. Sem pensar no que poderia ser se você decidisse ficar.
Porque você decidiu ir.

Não se preocupa comigo.
Nossos traumas são diferentes, eu soube disso desde a primeira vez que eu te vi.
Você tem medo, eu tenho pressa.

Coloca logo essa mochila nas costas, e vai.
Seu ônibus já vai sair. E você vai passar todas essas horas pensando no dia que você vai voltar.
Mas você não vai. Você decidiu não voltar.
E vai doer. Mas a estrada vai te fazer forte.
E em alguns meses tua vida vai ser a mesma de antes.

Sobe nesse ônibus e abre a janela
E me diz o monte de coisas que você sempre achou que nunca ia falar pra uma garota.
Porque é tudo verdade. Porque se você vai, nada acaba.
A gente suspende o tempo e congela as coisas assim.
Me sorri e passa a mão no cabelo, do jeito engraçado que você sempre faz
Pra eu pensar por dois segundos que te vejo de novo.

Porque só assim eu prometo não te pedir pra ficar.


sábado, 23 de abril de 2011

laugh at the sun.

Eu só canto se for Sugar Town. Porque meu sotaque é engraçado, porque teus olhos ficam apertados e lindos com tanta luz no teu quarto escuro. E porque você ri. Ri da minha falta de preocupação, das minhas caras forçadas, do meu jeito meio bossa-nova e rock n' roll, da minha adoração pelas botas brancas da Nancy.
Eu só continuo porque toda manhã o sol nasce com minha risada. E com teu sorriso torto, de quando eu não entendo uma palavra do que dizes. Porque amo o teu imenso esforço em me fazer rir, só pra dizer que ficaria rico se pudesse vender meu sorriso.
Eu fico porque a gente tem mil planos. E nenhuma pretensão. E nem que eu reinventasse o acaso, eu conseguiria contar nossa história. Por que ela só existe nas madrugadas em claro, no toque que não existe, dos olhos que se veem sem de fato se encontrar.

Eu já vivo a minha primavera. Nada mais tem que dar certo.

terça-feira, 22 de março de 2011

Mentira.

Eu sinto tanto a tua falta.

Mentira.

Sinto falta de mim.
Sinto falta do meu sorriso quando te via. Da minhas mãos geladas, do meu peito arfante.. Sinto falta de ver teus olhos, quando tanto tempo depois, me viam de novo.

Sinto falta do nosso dia, congelado naquela noite, ao som de uma banda [não tão] qualquer. Era setembro, e eu era sua mulher.

Sempre te vejo. Mas sinto falta. Não de ti. Sinto falta da ansiedade que sentia quando te via há tempos atrás. Faz tanto tempo, e nunca existiu ninguém que não você.

Sinto falta da nossa história. A história que foi contada tantas vezes e se perdeu nas nossas tentativas de torná-la real. Se esvaiu nas pessoas que encontramos no caminho.


Não é você, sou eu.
A desculpa de toda grande história de amor quando o amor acaba.


sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Talvez a última.

A última vez que eu te vi, não foi na verdade a última. Mas nós sabíamos que era o fim. Ninguém falou sobre isso, e muito ao contrário, sorríamos e não pensávamos. Só sabíamos, mas isso não fazia mal, nem era triste. Era só como tinha que ser.

A última vez que te vi, não a última realmente, esquecemos que tinha um mundo para além dos limites que imaginamos. Mas quem se importa? Fugimos do calor primaveril do Rio de Janeiro, andamos de mãos dadas na chuva, ficamos horas falando bobagem. Todos olhavam sorrindo, mas nós sabíamos. Só nós. Em cada abraço, em cada copo, o gosto de despedida era mais forte. Mas isso não era importante.

A última vez que te vi, ou a penúltima, você salvou minha vida. Mas e daí? Isso não é um privilégio seu. Eu constantemente preciso de alguém pra me tirar da poeira e dos cacos onde insisto em me enfiar. Eu só te salvei do tédio. Salvei tua semana da rotina casa-trabalho-computador.

A última vez que eu te vi, ou talvez não tenha sido a última, foi sem querer. Assim como foi sem querer o querer e o não-querer. Era amor, entrega, carinho. De verdade. Mas com prazo pra vencer. Era a dança de uma valsa só, que encanta, alegra e acaba. Ninguém imaginava. Mas nós sempre soubemos.




Não há mal pior do que a descrença. Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão. [Como dizia o poeta - Toquinho e Vinícius]

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Sobre ser feliz.

Ninguém é feliz sozinho.

Não porque somos seres sociais, que devem viver em comunidade ou algo assim.
Não somos felizes sozinhos porque somos confusos, cheios de imperfeições e altamente falhos. E viver sozinho pressupõe que suportamos de bom grado a nossa própria companhia. E nós não suportamos.

A felicidade só existe quando alguém te ouve pacientemente confessar sua vida medíocre, seus erros e defeitos e te ainda assim te olha com afeição. E te abraça como se o mundo acabasse ali, assim, sem um motivo aparente.


É preciso se preocupar mais com outro alguém do que com você pra se sentir inteiro. Ou com outros alguéns. Querer proteger, aceitar escolhas e caminhos diferentes. Mesmo que a distância exija algum esforço. Ser feliz é saber que estão felizes, e só.

Porque, de qualquer jeito, o mundo é grande, e as lembranças não morrem.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Eu menti pra você.

Por favor, não me culpa. Eu minto pra mim todos os dias. Não por querer, mas por ser várias em um só corpo. Uma reunião de impulsos nervosos compartilhados por várias almas.

Desculpa se exagero, mas tudo isso faz com que eu sinta demais, que eu fale demais, que eu seja demais. E somo a isso minha irresponsabilidade, minha impulsividade escondida pra não te afastar.

E não quero te afastar.

Eu não sei porque, nem o que é.
Mas existe. E me anima a existência nos dias quentes do Rio de Janeiro.

Só peço que fique. Sem nenhum motivo, sem nenhuma certeza.
E não fica com medo. Eu só machuco a mim mesma.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Não-eu.

Eu me olho no espelho, e não reconheço o reflexo.

Eu sinto vergonha. E urgência.

Todos os meus planos foram consumidos pela rotina, pelo cotidiano de interesses próprios. Interesses que não me alimentam, não me satisfazem de maneira nenhuma. E a pessoa que eu brigava com o mundo pra ser há alguns anos atrás, desapareceu completamente.

Eu não me reconheço.

A minha força era a minha carne nova, incólume no meio desse mundo cão. E hoje sou só a lembrança, o armário cheio de poeira e memória que ninguém abre mais. Não penso, não sonho, não quero. Só acordo e continuo o que acho que é a vida.

Tenho medo. Medo de estar só, ou de querer estar só.

Mas se o passado não existe mais, as pessoas voltam. Elas lembram. E me espancam a cara por eu estar entregue. E destroem cada pedaço da minha paz. Me obrigam a sair de casa, viver o mundo. Me fazem ter vergonha. Fazem eu me sentir sozinha e estúpida.

Tenho vontade de sair.

Sair da vida, sair do mundo. Ressusitar.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Terra Infértil

Somos os mortos que andam
Sem alma e sem tino
Rompendo a metrópole, pulsando o sangue
Sangue que fingimos não ver escorrer.

Somos as bestas sem olhos
Rondando calçadas povoadas de dor
Com os mesmos passos desvairados
Com os quais seguimos nossa caça cotidiana

Somos a árvore seca do mundo
Imóvel, inútil e indiferente
Arrastada pelo tempo
E vagando pelo mundo sem destino certo

Estamos no centro, somos o núcleo
Protagonistas de um mundo escravizado
Sugamos toda a luz ao nosso entorno
E a transformamos em absolutamente nada.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Selo de Qualidade

Bom, não tenho acessado muito a internet, mas hoje estava no trabalho e acabei entrando meio sem querer no blog da Emily. A supresa foi bem grande quando eu vi que o Outro quintal tinha sido indicado por ela a receber um selo de qualidade.

Fico muito feliz em ver que existe mais gente que passa por aqui e gosta. E com tanta gente boa escrevendo por aí, fico honrada em receber algo assim. Obrigada, Emily



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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

liberdade/felicidade

Se uma coisa necessariamente excluísse a outra, você escolheria ser livre ou ser feliz?