sábado, 24 de outubro de 2009

medley

Edu precisava dançar, sentia internamente as perfeitas vibrações musicais que lhe causava estímulos da cabeça aos pés. Porém através de um movimento voluntário, travou seu esqueleto, prestes a entrar em colapso, devido à discriminação, provável, dos olhos alheios.
Dessa forma, para evitar qualquer constrangimento, seguiu seu caminho, de pés calados, sedentos por uma dança.

André Tostes


Enquanto isso (...)


Gabi trancou o quarto, colocou um CD que já tinha uma camada considerável de poeira e aumentou o volume.
Não estava feliz, nem triste. Mas seu corpo vibrava num compasso ritmado, exato.
Era ânsia de estar além, de cortar o ar, de materializar a poesia que estava dentro dela. Então dançou. Como nunca antes, Gabi dançou.
Parou de sopetão. Corou rápido, abriu um meio-sorriso amarelo...
“droga, esqueci a janela aberta”
Mariana Lyrio



“Se eu não puder dançar essa não é a minha revolução” - Emma Goldman





Original: todososriscos

domingo, 23 de agosto de 2009

Eram realmente 6 da manhã.

- Tela Branca do Word.

Não, aqui não. É tão sem graça, sem emoção. Nada fica direito formatado em Times New Roman, número 12.

- Papel em branco, caneta. Papel em branco, caneta.

Droga! Hoje é dia! Já são 6 horas da manhã e nada. Nem sono, nem uma história decente. Também, é foda ter nascido no século XX. Todas as boas histórias já foram escritas.

- Passarinho, caminhão. ônibus, mais caminhão.

Já existe Pica-Pau, Piu-piu, Papa-Léguas... E qualquer coisa sobre estrada vai parecer mais uma história de Pedro e Bino, ou uma música do Engenheiros do Hawai.

- Passarinho. Muito passarinho.

Porra! Por isso que o mundo tá assim, nervoso, insone. Nem tentar dormir, as 6 da manhã um ser humano pode. Queria ter uma bomba e explodir todos esses sacos de penas.

- Droga, copiei o Cazuza.

E não dá pra escrever sobre o amor sem parecer o Matheus Souza, ou o Kaufman. Nem sobre violência sem soar Tarantino. Tudo sobre tristeza é tão Legião Urbana. Sobre futebol, parece tão Saldanha...

Até falar sobre o clichê parece tão clichê.

- Merda!

sábado, 15 de agosto de 2009


Bem, bem. Tanto tempo sem escrever, e acordo com meu blog recebendo um selo de uma pessoa importantíssima.





A Ju [http://outrosrabiscos.blogspot.com/] seguiu a corrente de premiar com os selos que ela recebeu os blogs que ela mais gosta, e fiquei muito surpresa (besta, sera a palavra certa) do Outro Quintal estar entre eles.

Muito obrigada, Ju. Fico muito feliz com as suas palavras.




Bem, de acordo com a tradição (haha) eu deveria indicar mais quatro blogs pra receber o selo também. E eu indicaria, se os que eu mais gosto e ainda leio já não o tivessem recebido. Então, vou deixar pra repassar o selo um outro dia, depois de voltar a escrever no blog, e de voltar a ler outros blogs, porque então poderei repassá-lo sem injustiça.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Nada é bom o bastante.

Nesta noite onde o vento cálido toca a face dos sãos, só o desespero me segue. E me acompanha para que os meus não enlouqueçam por minha torpe existência, por minhas vontades insanas.



Meus amores, minhas trapaças. Minha vida. Extingui-la-ei.

Assim mesmo, usando sem jeito a mesôclise do verbo.
Não há então motivo para mais dores.
A solidão é o preço imposto. Pagarei.
Por fim, a vida segue seu rumo.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Libertad.

Yo te nombro.


Poeta: Paul Eluard
Interprete: Nacha Guevara
Musicalizador: Gian Franco Pagliaro


Por el pájaro enjaulado.
Por el pez en la pecera.
Por mi amigo, que está preso
porque ha dicho lo que piensa.
Por las flores arrancadas.
Por la hierba pisoteada.
Por los árboles podados.
Por los cuerpos torturados
yo te nombro, Libertad.

Por los dientes apretados.
Por la rabia contenida.
Por el nudo en la garganta.
Por las bocas que no cantan.
Por el beso clandestino.
Por el verso censurado.
Por el joven exilado.
Por los nombres prohibidos
yo te nombro, Liberdad.

Te nombro en nombre de todos
por tu nombre verdadero.
Te nombro y cuando oscurece,
cuando nadie me ve,
escribo tu nombre
en las paredes de mi ciudad.
Escribo tu nombre
en las paredes de mi ciudad.
Tu nombre verdadero,
tu nombre y otros nombres
que no nombro por temor.

Por la idea perseguida.
Por los golpes recibidos.
Por aquel que no resiste.
Por aquellos que se esconden.
Por el miedo que te tienen.
Por tus pasos que vigilan.
Por la forma en que te atacan.
Por los hijos que te matan
yo te nombro, Liberdad.

Por las tierras invadidas.
Por los pueblos conquistados.
Por la gente sometida.
Por los hombres explotados.
Por los muertos en la hoguera.
Por el justo ajusticiado.
Por el héroe asesinado.
Por los fuegos apagados
yo te nombro, Liberdad.

Te nombro en nombre de todos
por tu nombre verdadero.
Te nombro y cuando oscurece,
cuando nadie me ve,
escribo tu nombre
en las paredes de mi ciudad.
Escribo tu nombre
en las paredes de mi ciudad.
Tu nombre verdadero,
tu nombre y otros nombres
que no nombro por temor.
Yo te nombro, Libertad






à Victor Jara

terça-feira, 15 de julho de 2008

Acorda.

A falta de ânimo. Só estava me deixando levar. Sem raciocínio, sem lembrar de acreditar em algo. Sem lembrar por quê. Sem perceber a gente entra no jogo e continua vivendo sem pensar. Se habitua a falta de tempo, se habitua a novela das oito, se habitua a ver mendigo no bairro. Sem se dar conta, a gente se habitua.
Mas eu já fui outra. De outra forma, de outras maneiras. Tinha sonhos e eles adormeceram, se perderam em algum lugar do espaço. Em algum lugar do meu espaço, da minha vida. Essa vida que ficou tão igual, tão... mecânica.

Então eu levanto de outro jeito. Ouço outras conversas, vejo outros olhares. E levanto de novo, de novo e de novo. Até ter certeza que acordei. Até ter certeza que a tevê não me diz mais nada.

Hoje, saio a caça. Busco idéias que sejam minhas, suas e deles. De gente que acordou também. Afinal, é no outro que a gente se encontra.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Poesia.

Meus textos são ruins.

Não consigo colocar em prosa a poesia da vida. Essa poesia imaginária que existe em cada segundo, e que faz questão de não se deixar explicar.
Não se explica porque vive. Ela é tudo, e eu sou incapaz de dominá-la. Ela só exala de meu corpo e se expressa por si, zombando da incapacidade humana de compreendê-la toda.
Hoje a manhã não foi torturante, e o cinza do céu tinha os matizes mais belos. Até o frio se fez familiar pra acompanhar a beleza de tudo.

Minhas míseras palavras não seriam suficientes.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Desinteresse.

Não quero seu amor eterno
Nem suas palavras imóveis e irreais.
Não quero seu tempo, seu desassosego.
Não quero nada.

É assim que o amor se apresenta
Refém das tormentas e das falhas
E e assim que ele se esconde
Evitando mentiras e atitudes perfeitas.


O perfeito é irreal.

















"Porque Está Amanhecendo?
Peço O Contrario
Ver O Sol Se Por" =)

domingo, 20 de abril de 2008

Amanhã.

Desanimada, e com uma prova estúpida pra fazer.
Escrevendo aqui pra trocar os ares. Marx está me enlouquecendo com seu Materialismo Histórico.



Gente em todos os cantos
E onde estão os seus? Em quem você confia?
Pra quem deixaria seu dinheiro se morresse amanhã?
Com quem deixaria seu diário?
Suas paixões platônicas, suas manias secretas?

E seu amor? Quantos sentirão falta?

domingo, 6 de abril de 2008

Sobre o irreal.

Saudade da poesia fresca
Que exalava sua essência doce
E fluia bela e real

Saudade daquele amor nobre
Daquela entrega, daquele prazer
Da confiança desacreditada

Já hoje, meus rabiscos incertos
não têm mais valor
E minhas mãos vivem das lembranças de outrora...